Exercício físico e saúde óssea

Sabia que, após três semanas de treino com pesos de intensidade média/alta, a densidade do nosso tecido ósseo começa a aumentar? E se iniciar numa idade precoce, os resultados permanecem, mesmo em idosos.

A estrutura esquelética do nosso corpo pode responder à aplicação de cargas mecânicas na idade jovem desenvolvendo, num curto espaço de tempo, a massa e a força: este processo é conhecido por "modelagem". A massa e a força dos nossos ósseos habitualmente alcançam os níveis máximos entre a segunda e a terceira décadas de vida.

Depois disso, durante o processo de envelhecimento, o esqueleto começa a perder as suas propriedades minerais, ou seja a densidade, o teor de minerais, a estrutura e a força. Isso provoca o aumento do risco de osteoporose e fraturas.

Felizmente, este processo, embora inevitável, pode ser abrandado. A função desempenhada pela atividade física na promoção da remodelagem óssea já é amplamente reconhecida. Praticar exercício limita e abranda a desmineralização fisiológica que ocorre ao longo dos anos. A velocidade deste processo é naturalmente determinada pela taxa dinâmica de aplicação da carga e duração da sessão de treino. Norma geral, as atividades que produzem forças de reação em terra superiores a uma ou duas vezes o peso corporal são mais eficazes: por outras palavras, a caminhada e corrida são mais úteis do que o ciclismo e a natação.

Devido à importância do reforço ósseo para a prevenção da osteoporose, as Physical Activity Guidelines dos Estados Unidos incentivam as crianças e os adolescentes a incluir exercícios específicos nos 60 minutos de atividade física diária recomendada, pelo menos, três dias por semana. (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25076937). As atividades que se praticam em condições de descarga (por ex., natação e ciclismo) ou em condições estáticas (por ex., exercícios de alongamentos e de equilíbrio) não estimulam ou estimulam minimamente o processo de osteogénese (ou seja, a produção de novo material ósseo).

A função osteogénica do exercício aeróbico (por ex., caminhada, corrida) é eficaz apenas no caso de atividade intensa e, no caso do treino de força, apenas se este for efetuado com cargas pesadas. É aconselhável variar a direção do movimento contra-resistência durante a atividade física, para obter o reforço multiplanar das estruturas ósseas.

Para obter um efeito de remodelagem óssea significativa, a duração ideal dos programas de treino é de, pelo menos, quatro a seis meses. Os benefícios do exercício físico regular são observados a partir de duas/três sessões por semana (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25245313).

Alguns estudos propõem determinar se o impacto positivo da atividade física desenvolvida numa idade em evolução nas estruturas esqueléticas se destina a persistir na idade adulta. Uma investigação interessante comparou as características ósseas do braço lançador e do braço não lançador de um ex-jogador de basebol da Major League com noventa e quatro anos, que se reformou há 55 anos atrás. As análises demonstraram que o braço lançador do sujeito examinado (que não era o seu braço dominante) tinha uma secção óssea total e uma força superior em relação ao outro braço (o membro dominante na via diária), não obstante os índices musculares estivessem a favor do braço dominante. (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24879028)

Um outro estudo mediu a densidade mineral óssea (BMD) de 46 atletas homens de idade média equivalente a 22 anos durante a carreira ativa, repetindo depois o exame a uma idade média de 39 anos, após a reforma. Os valores relativos à densidade óssea não evidenciaram diferenças entre o período ativo e inativo. (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22806559)

Desta forma, podemos concluir que a atividade física é importante em qualquer idade, pois a qualidade do tecido ósseo na idade adulta e na idade avançada é influenciada pela otimização do crescimento esquelético na infância, adolescência e juventude. O treino de força, em particular, pode ser considerado um dos estímulos positivos mais importantes em termos de saúde óssea.